<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>RI - Relações Internacionais</title>
	<atom:link href="http://ri.net.br/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://ri.net.br</link>
	<description>Estudos internacionais</description>
	<lastBuildDate>Sat, 04 Feb 2012 08:41:02 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<xhtml:meta xmlns:xhtml="http://www.w3.org/1999/xhtml" name="robots" content="noindex" />
		<item>
		<title>Relações Internacionais é o curso que eu quero?</title>
		<link>http://ri.net.br/relacoes-internacionais-2/geral/relacoes-internacionais-e-o-curso-que-eu-quero/</link>
		<comments>http://ri.net.br/relacoes-internacionais-2/geral/relacoes-internacionais-e-o-curso-que-eu-quero/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 31 Jan 2012 14:06:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>RI</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://ri.net.br/?p=329</guid>
		<description><![CDATA[É a condução das relações entre povos, nações e empresas nas áreas política, econômica, social, militar, cultural, comercial e do Direito. Esse bacharel analisa o cenário mundial, investiga mercados, avalia as possibilidades de negócios e aconselha investimentos no exterior. Promove entendimentos entre empresas e governos de diferentes países, abrindo caminho para exportações, importações e acordos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>É a condução das relações entre povos, nações e empresas nas áreas política, econômica, social, militar, cultural, comercial e do Direito.</strong> Esse bacharel analisa o cenário mundial, investiga mercados, avalia as possibilidades de negócios e aconselha investimentos no exterior. Promove entendimentos entre empresas e governos de diferentes países, abrindo caminho para exportações, importações e acordos bilaterais ou multinacionais. A internacionalização da economia amplia o campo de atuação desse profissional, que pode trabalhar em ministérios, embaixadas e consulados, grandes empresas, bancos e ONGs.</p>
<div>
<h2>Dúvida do Vestibulando</h2>
<p>QUAL É A DIFERENÇA ENTRE RELAÇÕES INTERNACIONAIS E COMÉRCIO EXTERIOR?</p>
<p>O profissional de Relações Internacionais conduz as relações entre povos, nações e empresas. Sua função é promover o entendimento para facilitar acordos de diversas áreas, como a política, militar e cultural. Já o profissional formado em Comércio Exterior se ocupa do intercâmbio de um país com as demais nações, tratando principalmente das relações de compra e venda com empresas do exterior.</p>
</div>
<h2>O mercado de trabalho</h2>
<p>O mercado para o bacharel está em ascensão graças à maior inserção do Brasil na política e no comércio internacionais. Nos últimos anos, empresas brasileiras têm se internacionalizado e contratam profissionais que tenham visão global e diplomacia para ocupar posições de gestão. Multinacionais como Ambev, Danone, Embraer, Unilever e Vale oferecem vagas a trainees que possam atuar no país ou no exterior. &#8220;Cada vez mais as questões internacionais têm efeitos domésticos, por isso esse profissional é essencial na interpretação de políticas e decisões que podem impactar o negócio das empresas&#8221;, afirma Maria Izabel Valadão de Carvalho, coordenadora do curso da UnB. Os postos de trabalho estão concentrados no eixo Rio-São Paulo e em Brasília (DF), mas novas vagas aparecem nas demais capitais. Em Cuiabá (MT), polo importante para os agronegócios, as oportunidades são promissoras na área de consultoria para os pequenos e médios exportadores. Macaé (RJ), região petroquímica, já oferece postos de trabalho e a previsão é de expansão nos próximos anos. Concursos públicos de órgãos como os Tribunais de Contas estaduais e da União e o Itamaraty quadruplicaram o número de vagas em três anos, e o número de profissionais necessários para trabalhar no país e no exterior na área de diplomacia só deve crescer. Aumentam também os concursos para atuar como gestor de políticas públicas em ministérios e secretarias.</p>
<p><strong>Salário inicial: </strong>R$ 4.000,00 (fonte: profa. Janina Onuki, da USP).</p>
<h2>O curso</h2>
<p>O currículo divide-se em três grandes áreas: política, direito e economia. Durante o curso, estudam-se sociologia, economia e história. Além disso, tem aulas práticas com simulação de negociações políticas, empresariais, comerciais e diplomáticas. É uma graduação que exige bastante leitura e o domínio de línguas estrangeiras &#8211; o inglês é indispensável. Na maioria das escolas é necessário que os alunos façam estágio em empresas ou instituições públicas ou privadas com atuação internacional. É obrigatória a realização de um trabalho de conclusão de curso. Fique de olho: A UFRJ passou a oferecer, em 2010, o curso de Defesa e Gestão Estratégica Internacional, com foco em questões ambientais globais e segurança.</p>
<p><strong>Duração média: </strong>quatro anos.</p>
<p><strong>Outros nomes: </strong>Defesa e Gestão Estrat. Intern.; Rel. Econ. Intern.; Rel. Intern. (ênf. em mkt. e neg.); Rel. Intern. (ênf. em neg. e mkt.); Rel. Intern. (gestão de neg. intern.); Rel. Intern. e Comércio Ext.; Rel. Intern. e Integração.</p>
<h2>O que você pode fazer</h2>
<div>
<h4>Agências governamentais</h4>
<p>Planejar ações dos governos federal, estadual ou municipal nos setores político, econômico, comercial, social e cultural.</p>
<h4>Analista internacional</h4>
<p>Coletar dados e elaborar relatórios sobre a conjuntura internacional para órgãos governamentais, empresas privadas e ONGs. Participar da elaboração de programas de cooperação com outras nações.</p>
<h4>Comércio exterior</h4>
<p>Identificar oportunidades de comércio com outros países e intermediar a importação e a exportação de produtos.</p>
</div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://ri.net.br/relacoes-internacionais-2/geral/relacoes-internacionais-e-o-curso-que-eu-quero/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Desempenho da economia brasileira e sua inserção no cenário mundial</title>
		<link>http://ri.net.br/relacoes-internacionais-2/economia/desempenho-da-economia-brasileira-e-sua-insercao-no-cenario-mundial/</link>
		<comments>http://ri.net.br/relacoes-internacionais-2/economia/desempenho-da-economia-brasileira-e-sua-insercao-no-cenario-mundial/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 30 Jan 2012 23:16:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Beskow</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[cenário internacional]]></category>
		<category><![CDATA[economia brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[indicadores macroeconômicos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://ri.net.br/?p=9475</guid>
		<description><![CDATA[Por Marcos Degaut / Editor Eduardo Beskow A notícia publicada nos estertores de 2011 de que o Produto Interno Bruto brasileiro superou o do Reino Unido, tornando-nos a sexta maior economia mundial, gerou enorme onda de otimismo acerca de seu desempenho econômico e futuro, despertando perigoso sentimento pseudoufanista algo semelhante ao da época do “milagre” [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Marcos Degaut / Editor Eduardo Beskow</p>
<p>A notícia publicada nos estertores de 2011 de que o Produto Interno Bruto brasileiro superou o do Reino Unido, tornando-nos a sexta maior economia mundial, gerou enorme onda de otimismo acerca de seu desempenho econômico e futuro, despertando perigoso sentimento pseudoufanista algo semelhante ao da época do “milagre” e dos tristemente célebres slogans ”Brasil, ame-o ou deixe-o” e “ninguém segura este País”.<br />
Permitam-me, entretanto, desafiar o coro dos contentes e, a par de lembrar que nosso país continua extremamente desigual, analisar alguns obstáculos que, se não forem corrigidos, podem comprometer a trajetória de crescimento e contribuir para perdermos espaço na acirrada competição global.<br />
Sem dúvida, temos obtido avanços importantes nos últimos dezesseis anos, evoluindo em áreas como controle da inflação, diminuição da vulnerabilidade e dívida externas. Somos autossuficientes na produção de petróleo e competitivos no agronegócio. O País se encaixa no conceito de Global Trader . As reservas internacionais ultrapassam US$ 350 bilhões e registramos superávits comerciais. A bolsa de valores atingiu níveis inéditos e somos um dos maiores receptores de Investimentos Externos Diretos no mundo. Embora o País já tenha experimentado outros períodos de fortalecimento cambial, sem que isso se traduzisse em benefícios concretos para a sociedade, agora parece haver mudança estrutural em curso que veio para ficar, capaz de tornar nossa economia sólida o bastante para ingressar em fase de duradoura prosperidade.<br />
Todavia, o Brasil apresenta profundos contrastes. Esses avanços nos indicadores macroeconômicos foram insuficientes para solucionar as contradições inerentes a um país marcado por enormes desigualdades sociais e concentração de renda altíssima. Ademais, a melhoria desses indicadores, observada a partir de seus próprios e historicamente baixos parâmetros, não significa incremento real da capacidade produtiva nacional quando comparada com os centros mais dinâmicos.<br />
Preocupante é a persistência do baixo e instável crescimento, combinada com os efeitos perversos provocados por juros altos, taxa de câmbio supervalorizada e carga tributária elevadíssima. Apesar do quadro internacional desfavorável, o Brasil deveria obter incremento do PIB no mínimo comparável à média dos principais países em desenvolvimento, que têm crescido cerca de 7% ao ano, enquanto o nosso tem sido inferior à metade disso nos últimos cinco . Em 2011, o índice de 2,9% foi o terceiro mais baixo da América Latina, inferior até mesmo ao do Haiti. No último trimestre, crescemos menos do que os países atingidos pela crise na Eurozona. Para 2012, a expectativa é de crescermos 3%. Trata-se da hipótese do crescimento empobrecedor, ou seja, o país registra crescimento, mas muito aquém de suas necessidades.<br />
Não obstante a melhora dos alicerces econômicos, as taxas de juros ainda estão entre as mais elevadas do mundo. Encarecem o crédito e o financiamento, reduzem o nível da atividade produtiva, dificultam e desestimulam a realização de investimentos e a contratação de mão-de-obra, aumentam substancialmente a dívida pública e valorizam artificialmente a taxa de câmbio do Real, ao atraírem capital estrangeiro em excesso.<br />
Problema de igual magnitude consiste na elevada e injusta carga tributária, que representa verdadeiro freio à atividade econômica, e na redução dos investimentos públicos em áreas de maior carência, como educação, saúde e infraestrutura. De 24,6% do PIB em 1991, atingiu quase 36% em 2011, posicionando-a entre as três maiores do mundo .<br />
Em 2011, alcançou-se expressivo volume de US$ 256 bilhões em exportações, sobretudo quando se considera que não se registrava a metade dessa cifra há menos de cinco anos. Números modestos, todavia, quando se analisa a proporção entre o tamanho do PIB e o volume de exportações. O Brasil detém apenas 1,2% de participação do mercado mundial, abaixo da média de 1,6% ostentada na década de 80, aparecendo apenas em 23º lugar na lista dos maiores exportadores, atrás de China, Rússia, Índia, Espanha, Bélgica, México, Arábia Saudita, Singapura e Taiwan. Muito pouco, para a “sexta economia mundial”.<br />
Dos quatro países do BRIC , fomos o que menos aproveitou a maior explosão de consumo do mercado americano já vista. As importações americanas saltarem de US$ 500 bilhões em 1985 para US$ 2 trilhões anuais em 2008. Nossas exportações para aquele mercado, no mesmo período, cresceram apenas 181%, enquanto as indianas cresceram 574%, as russas, 2.379%, e as chinesas, 5.073%. Na América Latina, o Chile teve suas exportações para os EUA aumentadas em 535%!<br />
Ainda mais inquietante é a “reprimarização” de nossa pauta exportadora . Em meados da década de 1990, apenas 30% de nossas exportações eram compostas por produtos primários. Hoje, mais de 65% é formada por mercadorias básicas ou de baixo conteúdo tecnológico, que possuem preços muito instáveis e sofrem os efeitos perversos da famosa deterioração dos termos de troca, significando transferência de recursos e renda para o exterior. Ademais, verifica-se grande concentração no setor. Existem aproximadamente 18 mil empresas brasileiras operando no mercado externo. Entretanto, 25% de tudo o que vendemos lá fora é controlado por apenas dez gigantes, como Vale e Petrobrás. Já demos o salto da quantidade, agora é preciso promover ajustes de produtividade e dar o salto da qualidade, agregar valor, tecnologia, às nossas mercadorias.<br />
É necessário atentar para o fato de que a alta sazonal de nossas commodities no mercado internacional tem causado percepção errônea de que a valorização do Real é um processo inofensivo, mas cujos impactos, na verdade, podem causar prejuízos futuros. Alguns já se fazem sentir em setores tradicionalmente menos competitivos como calçados e têxteis e mesmo em segmentos dinâmicos, como o automobilístico, quadro agravado pela entrada agressiva, e por vezes desleal, de competidores chineses. Por outro lado, como os produtos importados se tornam mais acessíveis, torna-se mais barato e lucrativo importar insumos e máquinas do que produzir localmente, o que provoca o deslocamento de centros de exportação para outros países, além da perda de oportunidades de absorção de IEDs. Embora essa importação de equipamentos mais baratos possa trazer certa modernização a nosso parque industrial, esses fatores diminuem a velocidade de geração de emprego e renda e, no longo prazo, podem levar à desarticulação de cadeias produtivas. É de se lamentar que a política econômica brasileira insista no erro da valorização cambial excessiva, minando a competitividade de vários setores industriais e encarecendo nosso custo de produção, relativamente a outros países.<br />
Importante ressaltar que 66% do PIB são representados pelo aumento do consumo, atendido crescentemente por importações. Em contrapartida, a taxa de poupança não chega a 17% e a de investimento, a 19% . Medidas para estimular o consumo, puxado pela disponibilidade de crédito, e não pelo aumento da renda, têm se traduzido em crescimento de importações e geração de empregos na China. Nesse cenário, expansão da oferta de crédito, rebaixas temporárias de impostos e proteção a segmentos industriais pouco farão para aumentar a competitividade e produtividade e evitar a fragilização da indústria nacional.<br />
Além da diminuição da vulnerabilidade externa, é preciso aumentar a capacidade de planejamento e articulação do Estado, identificar e eliminar os gargalos na atividade produtiva e reestruturar o modelo de inserção externa brasileiro, a fim de buscar não só IEDs, mas reduzir a burocracia, flexibilizar o mercado de trabalho, proporcionar ambiente de negócios estável e com regras transparentes, gerar maior valor agregado localmente, elevar o volume de exportações, mudando seu perfil, e ampliar a internacionalização das empresas brasileiras.<br />
O Brasil apresenta enorme potencial econômico e capacidade de desempenhar papel internacional mais ativo. Os avanços obtidos podem servir de fundamento para reduzir a taxa básica de juros, alterar o perfil da dívida pública e promover uma reforma tributária que desonere a produção e o consumo, de forma a viabilizar crescimento sustentado e desenvolvimento, acompanhado das necessárias políticas para a correção de desequilíbrios e a promoção da justiça social.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://ri.net.br/relacoes-internacionais-2/economia/desempenho-da-economia-brasileira-e-sua-insercao-no-cenario-mundial/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A INSERÇÃO INTERNACIONAL BRASILEIRA: VULNERABILIDADE OU ROBUSTEZ?</title>
		<link>http://ri.net.br/relacoes-internacionais-2/economia/a-insercao-internacional-brasileira-vulnerabilidade-ou-robustez/</link>
		<comments>http://ri.net.br/relacoes-internacionais-2/economia/a-insercao-internacional-brasileira-vulnerabilidade-ou-robustez/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 27 Jan 2012 10:38:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Beskow</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[economia internacional]]></category>
		<category><![CDATA[vulnerabilidade externa]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://ri.net.br/?p=7240</guid>
		<description><![CDATA[Por Rafael Agostin Palmieri / Editor Eduardo Beskow Este artigo pretende ser o primeiro de uma série que objetiva discorrer a respeito da Inserção Externa (ou Internacional) brasileira. O surgimento formal desta expressão pode ser atribuído a Gustavo Franco, então Diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central do Brasil, através da publicação do artigo Inserção [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Rafael Agostin Palmieri / Editor Eduardo Beskow</p>
<p>Este artigo pretende ser o primeiro de uma série que objetiva discorrer a respeito da Inserção Externa (ou Internacional) brasileira. O surgimento formal desta expressão pode ser atribuído a Gustavo Franco, então Diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central do Brasil, através da publicação do artigo Inserção Externa e o Desenvolvimento em abril de 1996. Neste, Franco propõe, com notável erudição, um novo modelo de desenvolvimento embasado em sólidos fundamentos econômicos a fim de acondicionar o país aos desafios impostos pela ordem da globalização. Desde então, esta expressão tem sido utilizada tanto por economistas quanto por internacionalistas a fim de examinar a resiliência (ou a plasticidade) ante impactos derivados das relações político-econômicas do Brasil para com o mundo, analisando tanto pontos de vulnerabilidade como de robustez. Destarte, este tem sido um difundido umbrella term para o estudo do Brasil em suas relações internacionais .<br />
Neste sentido, este texto buscará elencar alguns dos muitos fatos noticiados recentemente a favor do Brasil, com maior foco nas pertinentes ao desempenho de sua economia nos últimos anos. Em seguida, e de modo tênue, busca-se evidenciar ameaças à inserção brasileira, em contraposição às auspiciosas expectativas que podem ser derivadas de leitura destes fatos positivos em conjunto, como é visto correntemente em diversas colunas de opinião (em alguns casos, leigos à historiografia econômica brasileira), propagadas tanto pela mídia nacional quanto pela internacional.<br />
A “bem sucedida” evolução da economia brasileira nos últimos anos frente ao desempenho da economia global acarretou na midiática exposição de que o Brasil teria saído de um período denotado por uma série de acadêmicos como de Vulnerabilidade Externa a outro, reclamado (mormente) por autoridades governamentais como de Robustez. O intervalo que separa estes dois pode ser demarcado como o que separa as crises financeiras russa, de 1999, e a norte-americana, cujo estopim se deu em 2007 e se prolonga até a atual data.<br />
Tal discurso defende o aumento do grau de resiliência da economia nacional, que através de uma série de medidas, reformas e ajustes institucionais (ou no jargão “macroprudenciais”), e cujo início se dá na década de 1990, culminaram por fortalecer sua dinâmica interna e consequentemente por diminuir sua crônica e endêmica fragilidade externa. Sem falsa modéstia, Guido Mantega, atual Ministro da Fazenda, relata que o Brasil foi o último a entrar e o primeiro a sair da crise e o ex-presidente Lula referiu-se alegoricamente a mesma (a de maior vulto desde a de 1929) como “marolinha”. Em um artigo publicado pelo diário francês Le Monde Diplomatique em setembro de 2009, afirma-se que Lula teve uma visão “bastante correta”<br />
Henrique Meirelles, em seu pronunciamento de transmissão de cargo da presidência do Banco Central, em janeiro de 2011, congratula sua gestão: reduziu a dívida pública, a inflação e a taxa real de juros na economia, saldou a dívida com o FMI e ainda ampliou as reservas internacionais.  Em abril de 2010, Meirelles vê economia robusta.<br />
A imagem do Brasil para com o mundo mudou. Desde quando incluído no acrônimo BRIC cunhado pelo economista da Goldman Sachs Jim O`Neil em 2001, sua influência midiática mudou. Em 2006 quitaria sua dívida com o FMI e em 2008 seria canonizado pelas agências de risco com o Investment Grade. Em 2009, a renomada publicação britânica The Economist faz uma reportagem de capa com o título Brazil Takes Off e no ano seguinte, vai ao ar uma  reportagem especial do programa de TV 60 Minutes com a chamada Brazil`s Rising Star. Apesar da condução de uma política externa de cunho independente, que gera atritos pela aproximação de regimes controversos como o de Castro e o de Chávez, Obama é flagrado por uma câmera em uma reunião do G-20 em 2009 dizendo que Lula “é o cara”, bem como o “político mais popular do mundo”. Sem mencionar que em outubro de 2007 a FIFA ratificou que a Copa do Mundo de 2014 seria no Brasil. No mesmo mês de 2009, o COI anuncia as Olimpíadas de 2016.<br />
Nesta esteira, o volume do investimento estrangeiro quadruplicou em 5 anos, chegando próximo a 660 bilhões de dólares em 2010, sendo o Brasil é o terceiro país mais atraente para investimento estrangeiro. Segundo o Banco Central, esta entrada de capitais se deve às obras para a Copa do Mundo de 2014 e Olimpíada de 2016, além do início da extração de petróleo na camada pré-sal, cuja descoberta levou a OPEP a convidar o país a ingressar nesta organização.<br />
No âmbito empresarial, Eike Batista, figura emblemática deste sucesso, é tido como o oitavo homem mais rico do mundo. No ranking das maiores empresas do mundo a Petrobrás ocupa a oitava colocação, sendo que a lista ainda inclui o Bradesco, o Banco do Brasil, e a Vale entre as 100 maiores. Já a Embraer é tida como a terceira maior do mundo em seu segmento. Chama atenção a tendência crescente da internacionalização de empresas brasileiras, bem como do ritmo de fusões e aquisições.<br />
Este boom econômico vivido pelo Brasil atrai expatriados que cursam MBA nos EUA. O ambicioso programa Ciência sem Fronteiras, o qual objetiva conceder 100 mil bolsas de estudo no exterior para alunos brasileiros da área das exatas, começa a ser implementado.     O bônus demográfico é peça-chave para esta formação de expectativas favoráveis.<br />
Por fim deste breve clipping, ainda no afã da tomada da sexta colocação mundial pela economia brasileira, o ministro Guido Mantega afirma que em 20 anos o Brasil poderá atingir o padrão de vida europeu. A BBC, em sua edição em espanhol, chama o Brasil de novo império, ao tratar de sua influencia na América do Sul.<br />
Tal coletânea de fatos  é no todo inapreensível se se desconsidera a base material que deve preceder qualquer discurso norteador de uma política externa “altiva e ativa”, como denotou Celso Amorim. Agraciada por uma favorável cotação de commodities, em grande parte explicada pela crescente demanda (mormente chinesa) e uma alta liquidez mundial de capitais de caráter especulativo, a entidade Economia Brasileira, ao fazer a tarefa de casa em buscar diminuir a miséria extrema através de política redistributivas de renda, fomentar a expansão creditícia e dar condições para que capitais nacionais e estrangeiros (produtivos e especulativos) aqui se realizassem, cresceu, em média 4% ao ano no governo Lula. Uma parcela destes gerou seu efeito multiplicador, fazendo com que com que ao final do ano de 2010 o Mercado concluísse que o país havia atingido o nível de pleno emprego, algo entre 5 e 6% (da PEA). A renda gerada permitiu que milhões de famílias entrassem para a classe média e, através de um efeito dominó, gerou maior demanda e com isso, o crescimento.<br />
O governo conseguiu adotar medidas anticíclicas, com corte de impostos e redução dos juros, favorecido pela arrecadação fiscal elevada e pelo fortalecimento dos bancos, depois de anos de juros elevados, além de dispor dos bancos públicos e dos fundos públicos, instrumentos poderosos herdados do passado. No lado externo, a entrada de capitais é estimulada pela ampla liquidez gerada pelas políticas de expansão monetária dos Estados Unidos, enquanto as exportações refletem a sustentação da demanda chinesa, com forte aumento da participação de produtos primários e redução das vendas de produtos industrializados.<br />
Uma considerável parte da capacidade de reação da economia brasileira se deve a uma combinação de fatores de duas ordens. Pelo lado externo, o país se beneficia tanto pela forma como a crise mundial está sendo enfrentada pelo governo dos Estados Unidos, com a ampla emissão de moeda para sustentar o sistema financeiro, como pela manutenção do crescimento na China. Esses fatores podem se esgotar ou se enfraquecer bastante, mesmo porque a crise mundial tem contornos muito originais, como em todos os processos de magnitude semelhante. Pelo lado interno, a economia brasileira tem se beneficiado pela capacidade do governo de empreender políticas anticíclicas, com redução de impostos e do superávit fiscal e também com cortes das taxas de juros. Haveria assim uma combinação original entre os desdobramentos da crise e alguns traços essenciais da abertura e liberalização consolidados nos últimos anos no Brasil.<br />
Com o disseminar do pânico em nível global, com a bancarrota do banco de investimentos Lehmann Brothers, o governo lança mão de políticas anticíclicas, com os fins óbvios de conter a crise. Suas duas políticas de maior impacto, aumento global do volume de crédito ofertado por bancos públicos (para consumo e investimento) e aumento de gastos correntes manteve o país em euforia e as expectativas por aqui não se arrefeceram (em especial após o anúncio das descobertas do Pré-Sal). Bancos privados seguiram a tendência recente de auferir lucros recorde, o comércio varejista manteve-se aquecido. O impacto sofrido pela indústria foi recuperado e o índice Ibovespa logo teve seu gráfico redesenhado para uma trajetória à montante no longo prazo &#8211; no curto ainda sofre a influência da crise (ou prognóstico dela) da dívida dos PIIGs.<br />
Esta moldura otimista, contudo, não compreende e não corresponde à totalidade dos fatos econômicos, nos dois níveis &#8211; interno e externo &#8211; que aparecem como cenários que podem pôr em risco o crescimento do produto de forma sustentável a médio e longo prazo. A vulnerabilidade externa, em maior ou menor grau, é própria de todos os países, cada vez mais integrados economicamente.<br />
O presságio de uma nova era (a da Robustez) pode ser questionada através de uma simples verificação empírica: uma breve pesquisa por dados em nível macro revela que as duas contas pivotais do Balanço de Pagamentos, a Transações Correntes e a Conta Capital &amp; Financeira invertem de direção em aproximadamente 2006 (desdenhando-se o choque de 2008 na CC&amp;F). A primeira apesar do quantum demandado e preço em alta, apresenta tendência de queda na Balança Comercial, enquanto que a de Serviços e Rendas registra déficits extraordinariamente significativos, quando analisada numa ampla perspectiva histórica. Já a CC&amp;F, desde 2006 apresenta direção oposta graças às possibilidades de arbitragem que possibilita em face às condições de alta taxa nominal (e real) de juros, câmbio apreciado e ausência de controle de capitais.  A inflação surge num horizonte próximo como ameaça e preocupa o Mercado.  O câmbio valorizado preocupa Bresser-Pereira (e outros macrodesenvolvimentistas) e a CNI.<br />
Agendas que propõem reformas como as redigidas por economistas do IEDI, FIESP e outras (como a excelente organizada por Marcos Lisboa ) sugerem que se deve levar em consideração também outros entraves para o crescimento sustentado, como baixa taxa de poupança nacional, fatores de competitividade (custo Brasil, capital humano, taxa de investimento do setor público e privado, instituições ineficientes, ambiente para negócios e etc), os limites do mercado interno imposto pelo endividamento das famílias e pressões inflacionarias, bem como a crise percebida na Zona do Euro, que é fonte de investimento estrangeiro e mercado consumidor das exportações brasileiras.<br />
LEITURA RECOMENDADA:<br />
CARVALHO, Carlos Eduardo. A crise internacional desafia o modelo brasileiro de abertura e liberalização. Estudos Avançados.[online]. 2009, vol.23, n.66, pp. 111-123.</p>
<p>i  A título de exemplo, recomenda-se a leitura da edição em dois volumes de Inserção Internacional Brasileira: Temas de Economia Internacional pelo IPEA (2010) e Inserção Internacional: Formação dos Conceitos Brasileiros de Amado Luiz Cervo (2008).<br />
ii Para não tornar o texto extremamente denso, buscou-se resumir ao máximo tal coletânea de fatos noticiados em favor do Brasil. Uma leitura adicional, no entanto, é recomendada: trata-se de uma série proposta pelo Financial Times, a respeito dos BRIC. O colunista é o brasileiro Marcos Troyjo, da Universidade de Columbia (NY/EUA).<br />
iii A Agenda Perdida: Diagnóstico e Propostas para a Retomada do Crescimento com Maior Justiça Social.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://ri.net.br/relacoes-internacionais-2/economia/a-insercao-internacional-brasileira-vulnerabilidade-ou-robustez/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Crise Financeira do século XXI</title>
		<link>http://ri.net.br/relacoes-internacionais-2/economia/crise-financeira-do-seculo-xxi/</link>
		<comments>http://ri.net.br/relacoes-internacionais-2/economia/crise-financeira-do-seculo-xxi/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 27 Jan 2012 00:04:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Beskow</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[crise finaceira]]></category>
		<category><![CDATA[União Européia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://ri.net.br/?p=7237</guid>
		<description><![CDATA[Por Vinicius Araújo / Editor: Eduardo Beskow A crise econômica da União Européia atingiu níveis épicos de déficits e instabilidade política que a tornou comparável com a Grande Depressão que fora reflexo da Crise de 29. De acordo com Robert Guttman, o capitalismo que se encontra dominado pelas finanças sempre será regido pela probabilidade de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Vinicius Araújo / Editor: Eduardo Beskow</p>
<p style="text-align: justify">A crise econômica da União Européia atingiu níveis épicos de déficits e instabilidade política que a tornou comparável com a Grande Depressão que fora reflexo da Crise de 29.</p>
<p style="text-align: justify">
De acordo com Robert Guttman, o capitalismo que se encontra dominado pelas finanças sempre será regido pela probabilidade de sofrer crises em momentos principais de sua expansão ao permitir a redução da interferência estatal na economia.<br />
Essa oscilação de rendimentos do mercado financeiro foi percebida até mesmo nos poderosos EUA. Essa nova crise foi originada pelo setor imobiliário, chegou aos bancários e alastrou-se pelo mundo como uma epidemia. Com a super oferta de crédito e a falta de controle, o setor imobiliário saturou-se e, no intuito de reequilibrar a demanda com a oferta, os juros foram aumentados.</p>
<p style="text-align: justify">
Por conseguinte, a inadimplência tornou-se um fator preocupante, pois cresceu vigorosamente de forma abrupta. Posto isso, a oferta de crédito retraiu-se com a mesma intensidade da inadimplência e, consequentemente, os setores econômicos que tinham o financiamento destes bancos como alicerce viram as suas saúdes financeiras colapsarem. As organizações que dependiam do financiamento dos EUA também foram significativamente afetadas. E fora desta forma que as ondas da crise propagaram-se para o mundo depois do tremor inicial tendo a economia hegemônica como epicentro.<br />
A Grécia foi a nação que fora afetada mais intensamente pela redução de crédito, visto que se encontrava totalmente despreparada devido a ausência de responsabilidade para com o que fora estabelecido pelo Tratado de Maastrich – também conhecido como Tratado da União Européia -, ou seja, todos os países constituintes da União Européia deveriam manter as próprias finanças públicas de modo sustentável (déficit abaixo a um ponto pré estabelecido do PIB). Tendo isso em vista, o governo grego enxergou-se com alternativas limitadíssimas para reagir adequadamente, pois o déficit estava altíssimo e a partir de então, o crédito para refinanciar as dívidas encareceu-se exorbitantemente. A confluência destes fatores tornou-a insolvente.<br />
A ascensão da dívida obrigou o primeiro ministro George Papandreou a requisitar um pacote de auxílio econômico à União Européia e ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e também a programar uma série de medidas norteadas por um plano de austeridade (visam aumento de impostos, cortes de gastos e privatizações). Imediatamente surgiram inúmeras manifestações que objetivaram rechaçar tais medidas. A instabilidade econômica, civil e a pressão da oposição, finalmente, “obrigaram” Papandreou a renunciar ao cargo para dar lugar a um governo de coalizão até que um novo representante seja eleito (provavelmente em fevereiro).</p>
<p>Há ainda outras nações que se situam em situações econômicas severamente atingidas e completam o acrônimo depreciativo PIIGS, como Portugal, Irlanda, Itália e Espanha .<br />
A nação portuguesa vê sua economia em recessão devido ao fraco poder de competitividade e altos gastos públicos, como o demasiado aumento salarial. Há ainda de assinalar-se que, por conseguinte, Portugal está em sérias dificuldades para aumentar o poder de arrecadação e também para arcar com as dívidas, visto que ainda há uma série de projetos a serem implementados para aumentar a competitividade da mesma.<br />
Já a Irlanda que há três anos detinha um crescimento econômico vertiginoso e tornou-se promissor ao nível de receber a alcunha de Tigre Celta viu o fator causador de sua repentina queda também no setor imobiliário. Um sensível contingente de pessoas investiu nos títulos americanos e, consequentemente, os bancos aprovaram muitos empréstimos e financiamentos sem a devida análise, pois os imóveis estavam supervalorizados. Com a chegada da crise de 2008, a situação reverteu-se completamente.</p>
<p style="text-align: justify">
A Itália, mesmo sendo a terceira potência econômica do bloco da União Européia, não teve governo competente para enfrentar a crise. Os gastos atingiram tal magnitude que o Estado italiano tornou-se o segundo país na iminência de concretizar um default – mais conhecido como calote -, com o agravante de possuir uma economia muito maior. Esse crescimento do déficit deu-se graças aos escândalos sexuais, políticos e de corrupção que corroeram a credibilidade do até então, primeiro ministro Silvio Berlusconi. Com isso, os investidores foram influenciados por especuladores e tornaram-se receosos quanto a capacidade de implementação de reformas para reduzir as dívidas e fomentar o crescimento. A partir de então, o capital passa a evadir da Itália e gerar déficits crescentes.</p>
<p style="text-align: justify">
A Espanha, apesar de deter o posto de quarta maior economia da União Européia, também foi tragada pela crise americana dos ‘’subprimes’’. Os efeitos foram tão poderosos que a taxa de desemprego cresceu significativamente junto com a dívida.<br />
Por conseguinte, todos os países do PIIGS estão sendo abalados por uma instabilidade política com força tal que os respectivos chefes de governo foram “caindo” como em um efeito dominó. Além disso, é imprescindível destacar que todos foram obrigados a seguir os principais ditames dos planos de austeridade de acordo com as necessidades de cada realidade. Contudo, é válido ressaltar alguns pontos em comum: altas taxas de desemprego, múltiplas reduções no orçamento, congelamento de salários, aumento de idade mínima de aposentadoria, dentre outros. E por fim, todos eles foram escravizados pela necessidade de pedir pacotes de financiamento ao Fundo Monetário Internacional e a União Européia, com exceção da Itália, visto que esta ainda é capaz de sanar alguns déficits.</p>
<p style="text-align: justify">
Os danos adquiriram patamares altíssimos e, tendo isso em vista, alguns economistas temem que o crescimento econômico da Europa adquira o formato W, ou seja, a economia vai ter um breve crescimento para novamente sofrer outra queda e, posteriormente, retomar o “statu quo ante”. Portanto, somente com planejamentos minuciosamente elaborados com a cooperação de todos os países da União Européia para a concretização da recuperação do bloco para que o Euro possa retomar o desenvolvimento de outrora.</p>
<p style="text-align: justify">
<p>A crise econômica da União Européia atingiu níveis épicos de déficits e instabilidade política que a tornou comparável com a Grande Depressão que fora reflexo da Crise de 29.<br />
De acordo com Robert Guttman, o capitalismo que se encontra dominado pelas finanças sempre será regido pela probabilidade de sofrer crises em momentos principais de sua expansão ao permitir a redução da interferência estatal na economia.<br />
Essa oscilação de rendimentos do mercado financeiro foi percebida até mesmo nos poderosos EUA. Essa nova crise foi originada pelo setor imobiliário, chegou aos bancários e alastrou-se pelo mundo como uma epidemia. Com a super oferta de crédito e a falta de controle, o setor imobiliário saturou-se e, no intuito de reequilibrar a demanda com a oferta, os juros foram aumentados.<br />
Por conseguinte, a inadimplência tornou-se um fator preocupante, pois cresceu vigorosamente de forma abrupta. Posto isso, a oferta de crédito retraiu-se com a mesma intensidade da inadimplência e, consequentemente, os setores econômicos que tinham o financiamento destes bancos como alicerce viram as suas saúdes financeiras colapsarem. As organizações que dependiam do financiamento dos EUA também foram significativamente afetadas. E fora desta forma que as ondas da crise propagaram-se para o mundo depois do tremor inicial tendo a economia hegemônica como epicentro.<br />
A Grécia foi a nação que fora afetada mais intensamente pela redução de crédito, visto que se encontrava totalmente despreparada devido a ausência de responsabilidade para com o que fora estabelecido pelo Tratado de Maastrich – também conhecido como Tratado da União Européia -, ou seja, todos os países constituintes da União Européia deveriam manter as próprias finanças públicas de modo sustentável (déficit abaixo a um ponto pré estabelecido do PIB). Tendo isso em vista, o governo grego enxergou-se com alternativas limitadíssimas para reagir adequadamente, pois o déficit estava altíssimo e a partir de então, o crédito para refinanciar as dívidas encareceu-se exorbitantemente. A confluência destes fatores tornou-a insolvente.<br />
A ascensão da dívida obrigou o primeiro ministro George Papandreou a requisitar um pacote de auxílio econômico à União Européia e ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e também a programar uma série de medidas norteadas por um plano de austeridade (visam aumento de impostos, cortes de gastos e privatizações). Imediatamente surgiram inúmeras manifestações que objetivaram rechaçar tais medidas. A instabilidade econômica, civil e a pressão da oposição, finalmente, “obrigaram” Papandreou a renunciar ao cargo para dar lugar a um governo de coalizão até que um novo representante seja eleito (provavelmente em fevereiro).</p>
<p>Há ainda outras nações que se situam em situações econômicas severamente atingidas e completam o acrônimo depreciativo PIIGS, como Portugal, Irlanda, Itália e Espanha .<br />
A nação portuguesa vê sua economia em recessão devido ao fraco poder de competitividade e altos gastos públicos, como o demasiado aumento salarial. Há ainda de assinalar-se que, por conseguinte, Portugal está em sérias dificuldades para aumentar o poder de arrecadação e também para arcar com as dívidas, visto que ainda há uma série de projetos a serem implementados para aumentar a competitividade da mesma.<br />
Já a Irlanda que há três anos detinha um crescimento econômico vertiginoso e tornou-se promissor ao nível de receber a alcunha de Tigre Celta viu o fator causador de sua repentina queda também no setor imobiliário. Um sensível contingente de pessoas investiu nos títulos americanos e, consequentemente, os bancos aprovaram muitos empréstimos e financiamentos sem a devida análise, pois os imóveis estavam supervalorizados. Com a chegada da crise de 2008, a situação reverteu-se completamente.<br />
A Itália, mesmo sendo a terceira potência econômica do bloco da União Européia, não teve governo competente para enfrentar a crise. Os gastos atingiram tal magnitude que o Estado italiano tornou-se o segundo país na iminência de concretizar um default – mais conhecido como calote -, com o agravante de possuir uma economia muito maior. Esse crescimento do déficit deu-se graças aos escândalos sexuais, políticos e de corrupção que corroeram a credibilidade do até então, primeiro ministro Silvio Berlusconi. Com isso, os investidores foram influenciados por especuladores e tornaram-se receosos quanto a capacidade de implementação de reformas para reduzir as dívidas e fomentar o crescimento. A partir de então, o capital passa a evadir da Itália e gerar déficits crescentes.<br />
A Espanha, apesar de deter o posto de quarta maior economia da União Européia, também foi tragada pela crise americana dos ‘’subprimes’’. Os efeitos foram tão poderosos que a taxa de desemprego cresceu significativamente junto com a dívida.<br />
Por conseguinte, todos os países do PIIGS estão sendo abalados por uma instabilidade política com força tal que os respectivos chefes de governo foram “caindo” como em um efeito dominó. Além disso, é imprescindível destacar que todos foram obrigados a seguir os principais ditames dos planos de austeridade de acordo com as necessidades de cada realidade. Contudo, é válido ressaltar alguns pontos em comum: altas taxas de desemprego, múltiplas reduções no orçamento, congelamento de salários, aumento de idade mínima de aposentadoria, dentre outros. E por fim, todos eles foram escravizados pela necessidade de pedir pacotes de financiamento ao Fundo Monetário Internacional e a União Européia, com exceção da Itália, visto que esta ainda é capaz de sanar alguns déficits.<br />
Os danos adquiriram patamares altíssimos e, tendo isso em vista, alguns economistas temem que o crescimento econômico da Europa adquira o formato W, ou seja, a economia vai ter um breve crescimento para novamente sofrer outra queda e, posteriormente, retomar o “statu quo ante”. Portanto, somente com planejamentos minuciosamente elaborados com a cooperação de todos os países da União Européia para a concretização da recuperação do bloco para que o Euro possa retomar o desenvolvimento de outrora.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://ri.net.br/relacoes-internacionais-2/economia/crise-financeira-do-seculo-xxi/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Política econômica em 2012 precisa de urgente revisão</title>
		<link>http://ri.net.br/relacoes-internacionais-2/economia/politica-economica-em-2012-precisa-de-urgente-revisao/</link>
		<comments>http://ri.net.br/relacoes-internacionais-2/economia/politica-economica-em-2012-precisa-de-urgente-revisao/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 09 Jan 2012 15:10:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eduardo Beskow</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Política Econômica]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://ri.net.br/?p=6978</guid>
		<description><![CDATA[Por : Guilherme Fasolin / Editor Eduardo Beskow Com o fim do primeiro ano do governo Dilma surgem diversas avaliações acerca dos resultados da implementação de suas políticas públicas. Este é um exercício importante para comparar o que houve de avanço, retrocesso ou manutenção de suas políticas em relação aos governos anteriores. No âmbito da política [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify">Por : Guilherme Fasolin / Editor Eduardo Beskow</p>
<p style="text-align: justify">Com o fim do primeiro ano do governo Dilma surgem diversas avaliações acerca dos resultados da implementação de suas políticas públicas. Este é um exercício importante para comparar o que houve de avanço, retrocesso ou manutenção de suas políticas em relação aos governos anteriores. No âmbito da política econômica que é o objeto desta coluna, o governo Dilma ficou muito aquém do esperado, mantendo a política econômica conservadora de seus antecessores, deixando a sensação de que poderia ter sido mais ousado em suas ações, imprescindíveis para romper com os interesses do sistema financeiro que ainda dominam o Estado brasileiro.</p>
<p style="text-align: justify">Uma tendência marcante que se observa na política econômica brasileira após implantação do Plano Real em 1994 e que perpassou os mandatos de Fernando Henrique Cardoso e Luís Inácio Lula da Silva e mantém-se na administração Dilma é o seu caráter conservador. O tripé de estabilização que é a base dessa política econômica busca a execução de três objetivos centrais que impedem um maior crescimento e desenvolvimento econômico do país; uma política monetária ortodoxa com taxa de juros elevadas conjugados com uma política fiscal estrita com formação de altos superávits primários e suplementado por uma política cambial baseada na liberdade cambial.</p>
<p style="text-align: justify">Na esfera da política monetária em 2011, mesmo com a redução tímida da taxa básica de juros (Selic) que encerrou o ano em 11%, as críticas a apatia do governo e do Banco Central (BC) que aos poucos mostram um maior alinhamento permanecem preponderantes no cenário nacional. Neste sentido, os prejuízos dos aumentos sucessivos da Selic durante o primeiro semestre, a restrição ao crédito, alto custo Brasil são fatores que prejudicaram a economia brasileira. O crescimento que era previsto de 5,5 % caiu para a casa dos 3% ao final de 2011.</p>
<p style="text-align: justify">Somente no momento em que o governo enfrentar as forças do sistema financeiro, baixando a taxa de juros é que ocorrerá um maior estímulo aos investimentos privados, alteração dos preços dos transportes, e habitação, que refletem em maiores benefícios reais aos cidadãos brasileiros. A partir desta etapa é que poderemos pensar em um maior crescimento e desenvolvimento econômico para o país. Para que esta mudança se inicie no próximo ano é fundamental que o governo faça um enorme esforço na política fiscal. No entanto, caso isso não ocorra, à tendência de uma alta na inflação é enorme, o que consequentemente forçará o BC a subir a taxa de juros, pois de acordo com as medidas do governo é a Selic que controla os níveis de preços dos produtos e não o mercado internacional, um pensamento que se mostra equivocado.</p>
<p style="text-align: justify">Desta maneira, como o cenário do ano que se inicia para as contas públicas não dá sinais de um bom resultado como o ano anterior, a tendência de uma redução da taxa Selic para 9,5 % como sugere os principais relatórios oficias e as expectativas dos agentes econômicos em 2012 parece pouco provável. O resultado de 2011 somente foi possível devido à manutenção do salário mínimo sem ajustes e a diminuição nos investimento públicos em áreas como saúde, educação, infra-estrutura, entre outros. No entanto, o cenário que se vislumbra para 2012 com o anúncio do aumento do salário mínimo, a mais baixa taxa de desemprego desde de 2002, a redução dos preços das commodities agrícolas e minerais como conseqüência da desaceleração do motor China, o ano de eleições municipais que promovem um considerável aumento nos orçamentos federais, permitem afirmar que o temor da inflação em 2012 será muito maior e difícil de ser gerido do que no primeiro ano do governo Dilma. A conseqüência direta dessa pressão inflacionária é o aumento da taxa selic em contraste com as projeções feitas pelos analistas no final de 2011.</p>
<p style="text-align: justify">Outra variável que permite analisar com mais cautela o cenário econômico brasileiro em 2012 é a política cambial. A moeda brasileira, com exceção de alguns períodos pontuais do ano de incerteza mundial devido à crise na economia internacional, manteve-se sempre supervalorizada. O país com a maior taxa de juros real do mundo atrai um enorme fluxo de capitais, especialmente especulativos que buscam apenas ganhos rápidos e fáceis. A principal conseqüência desse processo é a supervalorização do real frente ao dólar, fator que proporciona alguns efeitos nocivos a economia nacional. Dentre elas, nossas exportações de produtos manufaturados não conseguem alcançar condições de competitividade no exterior e nossas importações na grande maioria são de produtos industriais de baixa qualidade. Em suma, a liberdade cambial acaba sendo o principal responsável pelo processo de desindustrialização que a economia brasileira vem vivendo nos últimos tempos.</p>
<p style="text-align: justify">Esta tendência não deve-se alterar significativamente em 2012. Com a dificuldade de controlar as contas públicas, a tendência da inflação subir é real , mesmo com a tendência do real manter-se supervalorizado fator que aumenta as importações e que a primeira vista aumenta a concorrência e pressiona os preços para baixo o que controlaria a inflação.No entanto como presencia-se no cenário nacional uma relativa situação de pleno emprego ocorre uma pressão para salários mais elevados, o que em consequência manterá um tendência inflacionária neste ano novo. Desta forma a taxa de jutos permanecerá em patamares elevados, na medida em que dentre as principais escolhas do governo, manter o sistema de metas da inflação ainda continua como objetivo central. Desta forma, o desenvolvimento de uma política industrial continuará sendo retardado, pois não existe uma economia saudável que somente seja forte em alguns setores como commodities e semi manufaturados caso do Brasil. A necessidade de uma política de modernização industrial no Brasil torna-se urgente para que no longo prazo não dependêssemos somente de crescimento e desenvolvimento das commodities nos momentos em que as principais potências indústrias do mundo estão em recessão.</p>
<p style="text-align: justify">A conclusão a que se chega é que o Brasil deve mudar a postura em relação a sua política econômica. O primeiro passo é direcionar suas políticas públicas para desenvolver e modernizar a indústria nacional, aumentar os investimentos nas áreas de saúde, educação, infra-estrutura, distribuir renda e fortalecer o mercado interno. Entretanto, este projeto de nação ainda esta longe de ser implantado principalmente quando 47 % do orçamento da união em 2012 serão repassados para pagar os juros e a amortização da dívida pública, enquanto áreas prioritárias ao desenvolvimento nacional ainda são tratadas de forma marginal.</p>
<p style="text-align: justify">Deste modo, não se pode ofuscar esse problemas e realizar previsões improváveis quando se recebem notícias como a que o Brasil passou a ter o sexto maior PIB mundial ultrapassando o Reino Unido. É um conquista importante, porém se o país quer efetivamente ganhar posições e aumentar suas capacidades na estrutura de poder da economia mundial deve-se romper com os interesses do sistema financeiro que ainda são preponderantes internamente e buscar aumentar sua influência em decisões das principais instituições internacionais, como por exemplo, é o caso do Fundo Monetário Internacional, no qual o Brasil evoluiu mais ocupa ainda a décima posição, ficando atrás do mesmo Reino Unido que tem um PIB inferior ao seu.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://ri.net.br/relacoes-internacionais-2/economia/politica-economica-em-2012-precisa-de-urgente-revisao/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>(Des)União Europeia</title>
		<link>http://ri.net.br/regioes/europa/desuniao-europeia/</link>
		<comments>http://ri.net.br/regioes/europa/desuniao-europeia/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 31 Dec 2011 12:46:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Antunes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Europa]]></category>
		<category><![CDATA[Relações Internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Alemanha]]></category>
		<category><![CDATA[crise financeira]]></category>
		<category><![CDATA[crise política]]></category>
		<category><![CDATA[França]]></category>
		<category><![CDATA[União Européia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://ri.net.br/?p=6972</guid>
		<description><![CDATA[Por Renato Antunes / Editor Guilherme Bueno A integração europeia é um complexo e extenso fenómeno evolutivo, pleno de avanços e recuos pautados pela evolução dos interesses dos diversos Estados. Refiro-me primordialmente aos Estados que compõem a União Europeia (UE) mas também, embora em menor medida, àqueles que possuem uma grande capacidade de influenciar &#8211; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="CENTER" style="text-align: left;"><b>Por Renato Antunes / Editor Guilherme Bueno</b></p>
<p align="JUSTIFY">A integração europeia é um complexo e extenso fenómeno evolutivo, pleno de avanços e recuos pautados pela evolução dos interesses dos diversos Estados. Refiro-me primordialmente aos Estados que compõem a União Europeia (UE) mas também, embora em menor medida, àqueles que possuem uma grande capacidade de influenciar &#8211; de forma directa ou indirecta, mais ou menos eficaz – os Estados-membros, ainda que não o sejam.</p>
<p align="JUSTIFY">O processo de construção europeia é bastante sustentado e encontra raízes que datam de há muitos anos atrás. O acontecimento que fomentou, em maior medida, tal espírito foi indubitavelmente a repetição, depois do enorme flagelo que havia sido a Primeira Guerra Mundial, dum conflito à escala mundial com epicentro no continente europeu. Segundo fontes oficiais da União Europeia:</p>
<p align="JUSTIFY"><span size="2" style="font-size: x-small;">As raízes históricas da União Europeia remontam à Segunda Guerra Mundial. Os europeus queriam assegurar-se de que tal loucura assassina e tal vaga de destruição nunca mais se repetiria.</span></p>
<p align="JUSTIFY"><a name="sdfootnote1anc" href="#sdfootnote1sym"></a><sup>1</sup></p>
<p align="JUSTIFY">Urge chamar a atenção para a complexidade que foi dada (sendo discutível o grau de eficácia conseguido) a todo o processo, conferindo grande ênfase a questões como o &#8216;espírito europeu&#8217; ou a &#8216;cidadania europeia&#8217; no sentido de conseguir que o processo fosse dotado da maior abrangência possível. A cooperação intra-europeia foi absolutamente fundamental e funcionou como premissa maior para estímulo à participação empenhada de todos os membros.</p>
<p align="JUSTIFY">Todas estas considerações iniciais tentam retratar, ainda que de forma muito geral e superficial, a realidade que está por detrás da enorme evolução que constitui o processo de união no seio do continente europeu. Não indo ao pormenor (embora esse se constitua, na maioria das vezes, como fundamental), tentei ilustrar da melhor forma possível a complexidade e a singularidade do processo que se tornou essencial no seio, não só da política do continente europeu, como também da política mundial. É uma realidade híbrida e inovadora e um verdadeiro study-case em termos das anteriores experiências de relações entre Estados na política mundial.</p>
<p align="JUSTIFY">O objectivo deste artigo não é, de forma alguma, tomar partido de qualquer uma das perspectivas que se têm utilizado no entendimento da situação europeia actual mas, isso sim, lançar o debate que eu pretendo que paute as minhas próximas publicações. O título que escolhi é bastante sugestivo e quero, com ele, estimular a capacidade crítica de cada um no sentido de analisar as profundas desigualdades que se geraram no seio duma união que sempre se pretendeu coesa e funcional.</p>
<p align="JUSTIFY">Dirijo-me agora ao verdadeiro cerne deste artigo: focar o plano económico-financeiro. Este é o âmbito de acção da UE que actualmente serve de base a quase todas as discussões sobre o seu futuro e as suas aspirações (muito embora, à falta de unidade que se assiste nas questões económico-financeiras, se comece a equacionar um futuro político como forma de ‘reunificação’ de interesses e de rumos). É fundamental por se constituir como aquele em que as instâncias europeias não estão a conseguir apresentar soluções satisfatórias para muitos dos seus Estados-membros conseguirem sair da situação caótica em que se encontram, colocando assim em cheque todo o funcionamento (e viabilidade &#8211; segundo muitos autores) da própria união. Utilizarei, para ilustrar a franja da realidade económica europeia que mais importa para esta análise, o exemplo mais paradigmático da actualidade: o grupo formado por Irlanda, Grécia, Portugal e Espanha (Itália ficará, para já, de fora das minhas considerações – a sua realidade apresenta diversas particularidades importantes).</p>
<p align="JUSTIFY">Há que ter em conta que as situações destes países se utilizam quotidianamente de forma equiparada, não por serem iguais, mas sim pelo facto da dimensão e do teor dos seus problemas parecerem altamente comparáveis. Não descurando todas as diferenças históricas, sociais e económicas que permeiam as suas realidades, a verdade é que todos atravessam uma crise gigantesca, que ganha primordial relevo em termos financeiros.</p>
<p align="JUSTIFY"><b>O estalar da crise, Merkozy e as Eurobonds</b></p>
<p align="JUSTIFY">A forma como as instâncias europeias têm lidado com a situação de fragilidade que estes países atravessam e a sua consequente eficácia é discutível. É frequentemente apontada à União, enquanto actor do sistema internacional, falta de vontade política no auxílio aos seus Estados mais endividados, por constrangimentos alegadamente vindos de Alemanha e França (especialmente nas figuras de Angela Merkel e Nicolas Sarkozy).</p>
<p align="JUSTIFY"><span size="2" style="font-size: x-small;">Desde as crises económica e financeira de 2008 que Angela Merkel tem vindo a assumir, juntamente com o executivo de Sarkozy, um papel de liderança nos destinos económicos da União Europeia e dos seus Estados-Membros, contrariando muitas vezes a liderança da União.</span></p>
<p align="JUSTIFY"><a name="sdfootnote2anc" href="#sdfootnote2sym"></a><sup>2</sup></p>
<p align="JUSTIFY">O problema fundamental é a dívida. Passou-se de uma situação de manutenção ou de ‘aumento controlado’ (como alguns líderes gostavam de lhe chamar) para um crescimento exponencial e aparentemente incontrolável. Os valores máximos estabelecidos pela União Europeia para estes países têm sido repetidamente ultrapassados e o colapso parece iminente.</p>
<p align="JUSTIFY">Exigem-se ferramentas e soluções que permitam aos países mais endividados um desafogo financeiro que actualmente tem tanto de necessário, como de inexequível. Todos já perceberam que, por si só, os governos de Irlanda, Grécia, Portugal ou Espanha são simplesmente incapazes de travar o défice, reduzir o desemprego ou estimular a produção interna.</p>
<p align="JUSTIFY">O outro alegado problema, que muito tem dado que falar e escrever, é a inesperada aproximação franco-alemã. Por diversos motivos, esta aproximação, qual aliança, tem um peso extremo em todas as decisões no seio da UE. Com mais peso que a própria UE o ‘eixo franco-alemão’ tem decidido e definido todos os rumos e caminhos a seguir pelos estados da União. A verdade é que é impossível disfarçar o cunho interesseiro destas acções.</p>
<p align="JUSTIFY">A estreita concertação de posições entre França e Alemanha que, sistematicamente, têm castigado os países em dificuldades e com menor capacidade financeira, tem sido alvo das mais variadas críticas. Diversos meios de comunicação criaram inclusivamente uma curiosa designação para esta relação, nas pessoas dos respectivos líderes: o casal ‘Merkozy’.</p>
<p align="JUSTIFY">Conjuntamente os dois Estados têm um peso fundamental, principalmente em termos económico-financeiros, e fazem-se valer disso de forma extremamente hábil. Contudo, a sua acção tem sido mais nociva que positiva e é baseada na realização dos seus interesses. Assim se percebe a grande resistência franco-alemã ao auxílio aos países em dificuldades, pois estes últimos põem em causa a saúde financeira dos restantes países da zona euro – França e Alemanha incluídos. A recusa terminante da aplicação das Eurobonds<a name="sdfootnote3anc" href="#sdfootnote3sym"></a><sup>3</sup> é o expoente máximo desta intransigência à solidariedade inter-estatal em prol do projecto europeu – que era, no fim de contas, o mote inicial de toda a construção europeia.</p>
<div id="sdfootnote1">
<p><span size="2" style="font-size: x-small;"><a name="sdfootnote1sym" href="#sdfootnote1anc"></a>1<sup></sup> <span size="2" style="font-size: x-small;">EUROPA. “Uma Europa pacífica – Início da cooperação”. Consultado no dia 12 de Dezembro de 2011. </span></span></p>
<p>&nbsp;</p>
</div>
<div id="sdfootnote2">
<p><span size="2" style="font-size: x-small;"><a name="sdfootnote2sym" href="#sdfootnote2anc"></a>2<sup><span size="2" style="font-size: x-small;"></span></sup><span size="2" style="font-size: x-small;"> Negócios Online. “Angela Merkel – A senhora da Europa”. Consultado em 13 de Dezembro de 2011.</span></span></p>
<p>&nbsp;</p>
</div>
<div id="sdfootnote3">
<p align="JUSTIFY"><span size="2" style="font-size: x-small;"><a name="sdfootnote3sym" href="#sdfootnote3anc"></a>3<sup></sup> <span size="2" style="font-size: x-small;">Títulos de dívida pública cuja emissão é feita de forma centralizada. São emitidas em divisas diferentes da do país de origem. São apontadas como solução para as crises de dívida dos países mais vulneráveis já que as dívidas passam à condição de integradas numa dívida comum.</span></span></p>
<p>&nbsp;</p>
</div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://ri.net.br/regioes/europa/desuniao-europeia/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Confissões sobre um mundo chato</title>
		<link>http://ri.net.br/sociedade/confissoes-sobre-um-mundo-chato/</link>
		<comments>http://ri.net.br/sociedade/confissoes-sobre-um-mundo-chato/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 27 Dec 2011 23:16:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafael Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Relações Internacionais]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://ri.net.br/?p=6945</guid>
		<description><![CDATA[por Rafael Silva O fim de 2011 permite algumas colocações e reflexões sobre a condução das relações sociais e os meios pelos quais estas acontecem bem como daquilo que delas resultam. A conclusão é simples: o mundo está cada vez mais chato. ________________________________________ As relações sociais que marcam o fim do ano de transição entre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>por <a href="http://www.facebook.com/rafaelsilva.ri" target="_blank">Rafael Silva</a></p>
<p><em>O fim de 2011 permite algumas colocações e reflexões sobre a condução das relações sociais e os meios pelos quais estas acontecem bem como daquilo que delas resultam. A conclusão é simples: o mundo está cada vez mais chato.</em></p>
<p>________________________________________</p>
<p style="text-align: justify"><span id="more-6945"></span></p>
<p style="text-align: justify">As relações sociais que marcam o fim do ano de transição entre as duas primeiras décadas do século vinte e um demonstram uma tendência que torna cada vez mais frágil a tese defendida por Caetano Veloso de que &#8220;<a href="http://www.caetanoveloso.com/sec_livros_view.php?language=pt_BR&amp;id=19">O mundo não é chato</a>&#8221; no título de um de seus livros.</p>
<p style="text-align: justify">Afirmar o contrário, ou seja, que o mundo é chato pode ser tão ingênuo quanto adotar a mesma posição de Veloso sem uma análise crítica anterior. O mundo não é, ele está chato e são quase inevitáveis os fenômenos que atestam esta afirmação.</p>
<p style="text-align: justify">O termo chato está presente nas definições mais corriqueiras daquilo que é inoportuno, maçante e monótono.  É quase que um termo auto-explicativo e dispensa significações complexas. Boa parte dos elementos que pode descrevê-lo pode ser também usada no exercício de adjetivação do mundo  quando se considera as formas de expressão, a leitura e o substrato das relações e invenções que configuram a sociedade atual.</p>
<p style="text-align: justify">As mídias sociais e, com ênfase para o Facebook, por exemplo, têm &#8216;revolucionado&#8217; as formas de interação social, mas não necessariamente as têm evoluído. São numerosos os temas que deram origem a postagens polêmicas, falsas posições radicais, conjuntos de afirmações incoerentes e discussões que não levam a lugar nenhum. Em resumo, foi grande a propagação de argumentações superficiais que requisitam análises mais profundas para opiniões mais sensatas e mais seguras por parte dos usuários.</p>
<p style="text-align: justify">As razões disso podem estar no imediatismo, na fantasia do instantâneo e nas enganosas manchetes irresponsáveis dos veículos de comunicação que seguidas dos botões curtir e compartilhar se tornam armas poderosas para a difusão da chatice em escala mundial.</p>
<div class="mceTemp">
<dl>
<dt><a href="http://ri.net.br/sociedade/confissoes-sobre-um-mundo-chato/attachment/flat-soccer-ball/" rel="attachment wp-att-6946"><img class="size-medium wp-image-6946" src="http://ri.net.br/wp-content/uploads/2011/12/Corbis-42-22012037-300x200.jpg" alt="" height="200" width="300" /></a></dt>
<dd>Imagem por © David Selman/Corbis</dd>
</dl>
</div>
<p style="text-align: justify">Ainda que as condições permitidas pelo avanço tecnológico sejam responsáveis pela criação, incorporação e perpetuação de muitos dos ditames da vida em sociedade é ingênuo fetichizar as comprovações acerca de um mundo chato. Por trás do Facebook existem cérebros. Dito de outra maneira, existem agentes do chatismo e eles não se restringem às redes sociais, estão também nas salas de aula, dentro das empresas, profanando discursos políticos, pregando nas igrejas, estão nas mesas dos bares e atuando no cinema e na TV.</p>
<p style="text-align: justify">Estes agentes se escondem atrás de chavões como<em> bullying</em> e homofobismo para publicizar seus discursos e aumentar o número de seguidores. Seus argumentos dispõem de recursos finitos e uma semana depois de apresentados estão fantasticamente inutilizados. De certa forma, muito deles postulam a sustentabilidade como padrão de vida, mas eles mesmos não a sustentam.</p>
<p style="text-align: justify">Alguns dos dogmas resultantes das ações destes agentes são o de que o meio ambiente é intocável, de que são incontestáveis os benefícios trazidos pela democracia, o do que tudo que está na Internet é verdade e o de que os gordos estão fora do padrão (que padrão?).</p>
<p style="text-align: justify">Ou seja, o politicamente correto é chato, insustentável e insuportável.  Isso pode soar um tanto quanto  infactível assim como o título deste retrospecto e numerosos cenários contrários a tal declaração podem emergir e jogá-la por terra, mas o que a mantem firme frente às contestações que podem surgir são os exemplos de intolerância, de atitudes radicais, de censura e de injustiça que não são difíceis de encontrar na contemporaneidade.</p>
<p style="text-align: justify">O repúdio ao diferente e a tendência à generalização são preceitos cada vez mais instituídos pela Geração X que já é Y e em breve será Z (a falta de padronização já é um sinal de fragmentação e inconsistência conceitual). Isto está presente no radicalismo dos <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Veganismo">veganos</a>, na bizarra censura ao <a href="http://wikileaks.org/"><em>Wikileaks</em> </a>e às imagens do conjunto de fotografias publicadas pela campanha do <em><a href="http://www.google.com.br/search?q=unhate+fotos&amp;hl=pt-BR&amp;prmd=imvns&amp;tbm=isch&amp;tbo=u&amp;source=univ&amp;sa=X&amp;ei=bUb6TtTmEtTyggfGqo2wAg&amp;ved=0CCsQsAQ&amp;biw=1196&amp;bih=739">Unhate</a></em> como também no câncer de Lula e nos contrates de opinião sobre <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Usina_Hidrel%C3%A9trica_de_Belo_Monte">Belo Monte</a>.</p>
<p style="text-align: justify">Parece que os discursos insustentáveis sobre uma nova geração de seres humanos tem logrado com primazia &#8216;deletar&#8217; verdadeiras instituições que se firmaram ao longo de dezenas e centenas de anos, como a noção de funcionamento da cadeia alimentar, a liberdade de expressão, os direitos humanos, a solidariedade e a própria prática política.</p>
<p style="text-align: justify">A anarquia do mundo chato está no egoísmo intelectual calcado no nada ou no muito pouco. O contraste entre a abundância de informação e a escassez na sua absorção geram e reproduzem metamorfoses humanas abulantes sem raciocínio próprio seguidoras dos fluxos momentâneos sobre os quais possuem poder de agência, mas acabam optando, em muitos casos, por uma reação de passividade.</p>
<p style="text-align: justify">É preciso ressalvar que é incoerente acreditar que a tese sobre o estágio de chatice no mundo é uma consequência das atitudes de todas as pessoas, de todas as organizações e de todas as instâncias sociais, pelo contrário, o mundo só está chato porque existem fenômenos e agentes que não estão contaminados pela sua chatice. É preciso ter em mente que algo só é identificado porquê o oposto existe e serve como parâmetro de comparação.</p>
<p style="text-align: justify">Contudo, a falta de percepções desta natureza  somada a tudo o que foi dito, leva a acreditar que, em termos da intelectualidade humana, talvez será desnecessário esperar a fútil data de dezembro de 2012 na qual se espera assistir o espetáculo do fim do mundo. Um espetáculo que, a partir de uma análise histórica, para a surpresa de alguns, seguramente deverá terminar com um simples <em>&#8220;to be continued&#8221;. </em>E é justamente esta continuidade que preocupa.</p>
<p>por <a href="http://www.facebook.com/rafaelsilva.ri" target="_blank">Rafael Silva</a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://ri.net.br/sociedade/confissoes-sobre-um-mundo-chato/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>7</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Artigo &#8220;A evolução dos programas de fomento a exportação: do Exporta Cidade para um Plano Nacional&#8221;</title>
		<link>http://ri.net.br/relacoes-internacionais-2/geral/artigo-a-evolucao-dos-programas-de-fomento-a-exportacao-do-exporta-cidade-para-um-plano-nacional/</link>
		<comments>http://ri.net.br/relacoes-internacionais-2/geral/artigo-a-evolucao-dos-programas-de-fomento-a-exportacao-do-exporta-cidade-para-um-plano-nacional/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 22 Dec 2011 14:42:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gleiber Nascimento</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geral]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://ri.net.br/?p=4665</guid>
		<description><![CDATA[A exportação deixou de ser prática somente das empresas transnacionais e grandes empresas, e direcionada pelo cenário econômico global, passa a ser também, estratégia de desenvolvimento para micro e pequenas empresas. Internacionalizar produtos e serviços não é fácil, portanto exige assessoria, estudos e planejamento seguro que identifique os possíveis mercados internacionais e outras ações necessárias, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_4669" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://ri.net.br/relacoes-internacionais-2/geral/artigo-a-evolucao-dos-programas-de-fomento-a-exportacao-do-exporta-cidade-para-um-plano-nacional/attachment/exp_tacao-4/" rel="attachment wp-att-4669"><img class="size-medium wp-image-4669" src="http://ri.net.br/wp-content/uploads/2011/12/exp_tacao3-300x199.jpg" alt="" width="300" height="199" /></a><p class="wp-caption-text">Exportações de janeiro à novembro de 2011 já superam os números de 2010</p></div>
<p style="text-align: justify">A exportação deixou de ser prática somente das empresas transnacionais e grandes empresas, e direcionada pelo cenário econômico global, passa a ser também, estratégia de desenvolvimento para micro e pequenas empresas. Internacionalizar produtos e serviços não é fácil, portanto exige assessoria, estudos e planejamento seguro que identifique os possíveis mercados internacionais e outras ações necessárias, como as adequações e padronização dos produtos.<br />
A maior parte das empresas de pequeno porte que atuam no comércio exterior, importando e/ou exportando, está localizada em grandes centro financeiros brasileiros. Já as localizadas em territórios mais distantes no interior do país, encontram maior dificuldade, principalmente a falta de informações e esclarecimentos sobre esta atividade, resultando numa cultura avessa que acredita ser um processo extremamente burocrático e de alto risco, além de não ser indicado para micro e pequenas empresas.</p>
<p style="text-align: justify">Importante lembrar que este segmento é um dos principais pilares de sustentação da economia brasileira, representando 25% do PIB responsáveis por 60% do emprego formal do país e respondendo ainda por 99,8% das empresas que são criadas a cada ano no país.<br />
Vários fatores podem despertar em uma empresa o interesse de ingressar do mercado internacional e se unir ao grupo de empresas exportadores brasileiras, destacando: melhorias financeiras, marketing e status, qualidade e operacionalidade, redução da instabilidade e diluição de riscos, ampliação de mercado e economia de escala e importação de tecnologia oculta.<br />
Diversos projetos foram criados pelo Governo Federal em parceria com entidades do setor visando incentivar a internacionalização de empresas de pequeno porte (EPP), desse modo, aumentar a pauta exportadora do país. Neste artigo, destaco o “Exporta Cidade”, uma iniciativa promissora que gerou grande expectativa, porém não se concretizou.<br />
Lançado no ano de 2006, o Exporta Cidade surgiu a partir da atenção dos resultados positivos obtidos através do incentivo à exportação e à abertura de novos mercados no país. Desenvolveu sob a coordenação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) com o objetivo de proporcionar ações de apoio e fortalecimento da competitividade exportadora nos municípios, por meio de interação entre setores público e privado, instituições na sociedade e governo municipal, estadual e federal. Em sua primeira fase, foi implantada em 10 cidades com grande potencial exportador, nas cinco regiões do país.<br />
Dourados (MS) foi umas das dez cidades (Campo Largo-PR, Nova Friburgo-RJ, Sobral-CE, Juazeiro-BA, Marituba-PA, Diadema-SP, Anápolis-GO, Jaraguá do Sul-SC e Maués-AM) contempladas com o programa, escolhida por ser pólo produtor de diversos setores industriais, onde adotou a nomenclatura “Grande Dourados Exporta”, para a criação de ambientes favoráveis ao desenvolvimento das vocações produtivas destinadas ao mercado externo, gerando emprego e renda, fomentando a exportação de 39 cidades da região e do sul do estado. O lançamento foi feito pelo então Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Luiz Fernando Furlan.<br />
Capacitar micro e pequenos empresários em assuntos de comércio exterior e promover produtos por meio de comerciais exportadores ou trading companies eram algumas ações previstas, porém que não saíram do papel, deixando de beneficiar milhares de pequenos negócios e consequentemente, aumentar o poder econômico desses municípios e do Mato Grosso do Sul.<br />
No município, encontramos nichos produtores diversificados, oferecendo produtos que vão desde o artesanato, agricultura familiar, e a confecção, dotados de qualidade e de outros requisitos exigidos pelo mercado internacional, se caracterizando como potenciais exportadores que necessitam de orientação e incentivo, assim como milhares de micro e pequenas empresas brasileiras que têm o interesse em exportar, mas encontram obstáculos, como a gestão familiar, limitada visão de mercado, dúvidas e insegurança na venda para outro país, especificamente as formas de pagamento e entrega.<br />
Fica diagnosticado então, a necessidade do trabalho em parceria do poder público, em suas três esferas, o Serviço Brasileiro de Apoio as Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), entidades de classe, como as Federações das Indústrias, Associações Comerciais, Industriais e Empresariais e outros órgãos afins, para oferecer o apoio e esclarecimentos necessários e também, apresentar diversas ferramentas existentes de fomento a exportação, como o Exporta Fácil dos Correios e a Redeagentes do MDIC.<br />
Em contraponto, a Secretaria Nacional de Comércio Exterior criou o Plano Nacional da Cultura Exportadora, que será lançado oficialmente durante o Encontro Nacional de Comércio Exterior (Encomex) Mercosul, que acontecerá nos dias 1 e 2 de dezembro na cidade de Curitiba-PR. Surge com o objetivo de desenvolver e difundir a cultura exportadora nos estados, com a capacitação de gestores públicos, empresários e profissionais de comércio exterior. Um programa moderno, melhorado e visa o trabalho integrado nos estados e desse modo, recuperar e aumentar as empresas de pequeno porte desamparadas pelo extinto Exporta Cidade.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://ri.net.br/relacoes-internacionais-2/geral/artigo-a-evolucao-dos-programas-de-fomento-a-exportacao-do-exporta-cidade-para-um-plano-nacional/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Novo tratado do EURO: prenúncio de novos tempos, ou do fim do bloco?</title>
		<link>http://ri.net.br/relacoes-internacionais-2/destaque/novo-tratado-do-euro-prenuncio-de-novos-tempos-ou-do-fim-do-bloco/</link>
		<comments>http://ri.net.br/relacoes-internacionais-2/destaque/novo-tratado-do-euro-prenuncio-de-novos-tempos-ou-do-fim-do-bloco/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 18 Dec 2011 02:52:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Camila Andrade</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cooperação e Integração]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Euro]]></category>
		<category><![CDATA[União Européia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://ri.net.br/?p=4636</guid>
		<description><![CDATA[Por Adriano Smolarek/ Editora: Camila Andrade   Europeus dizem que estão abertos a um novo tratado, menos o R.Unido. BRUXELAS - A União Europeia anunciou nesta sexta-feira que 26 de seus 27 países membros estão dispostos a participarem de um novo tratado com maior união fiscal para resolver a crise do euro. Apenas o Reino [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<address><strong><em>Por Adriano Smolarek/ Editora: Camila Andrade</em></strong></address>
<p style="text-align: justify"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify"><strong>Europeus dizem que estão abertos a um novo tratado, menos o R.Unido.<em></em></strong></p>
<p style="text-align: justify"><strong>BRUXELAS </strong>- A União Europeia anunciou nesta sexta-feira que 26 de seus 27 países membros estão dispostos a participarem de um novo tratado com maior união fiscal para resolver a crise do euro. Apenas o Reino Unido se opõe ao novo tratado.</p>
<p style="text-align: justify">Na maratona de negociações que começou na noite de quinta-feira e se estendeu até esta sexta-feira, os líderes dos 17 países membros da zona do euro gradualmente convenceram quase todos os demais países da UE a considerar a adesão ao novo tratado.</p>
<p style="text-align: justify">Alguns países podem enfrentar oposição de seus respectivos Parlamentos ao pacto, que permitirá uma supervisão sem precedentes sobre os orçamentos nacionais.</p>
<p style="text-align: justify">Os mercados de ações e o euro subiram em reação as notícias do novo tratado, apesar deste oferecer apenas uma solução de prazo e de deixar muitos detalhes ainda pendentes. O acordo ofereceu uma nova confiança no compromisso das nações europeias com o grupo e disposição para abrir mão da soberania para superar a crise que começou na Grécia, engoliu toda a zona do euro e agora ameaça o sistema financeiro global.</p>
<p style="text-align: justify">“Este é um grande avanço para a estabilidade da união”, afirmou a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, ao fim do encontro de cúpula. “Precisamos usar a crise como uma oportunidade para uma renovação”, acrescentou.</p>
<p style="text-align: justify">Um documento divulgado perto do fim da cúpula revela que os líderes de nove dos dez países que não usam o euro “indicaram a possibilidade de participarem deste processo após consultas aos seus parlamentos, se este for o caso”.</p>
<p style="text-align: justify">Os líderes querem que o novo tratado seja escrito até março. Ao definirem os contornos de um novo traçado, os países esperam ajudar as nações europeias afundadas em imensas dívidas durante o longo prazo. Esse acordo é considerado necessário antes de o Banco Central Europeu (BCE) e outras instituições se comprometerem com mais dinheiro para reduzir os custos de financiamento de países pesadamente endividados, como a Espanha e a Itália.</p>
<p style="text-align: justify">“É um resultado muito bom para a zona do euro, muito bom”, disse o presidente do BCE, Mario Draghi, em Bruxelas. “Serpa a base para uma política econômica muito mais disciplinada para os membros da zona do euro. E certamente será útil na situação atual”, acrescentou.</p>
<p style="text-align: justify">Ainda não está claro se o BCE tomará ações mais agressivas para comprar bônus de países muito endividados. Embora Draghi tenha afirmado antes da cúpula que não havia um plano para aumentar as compras de bônus, os mercados esperam que o BCE pelo menos mantenha o programa existente, apesar de limitado. As taxas de juro para rolagem da dívida da Itália e Espanha permaneceram estáveis nesta sexta-feira, sugerindo que os investidores estavam cautelosos sobre as implicações da cúpula para uma maior intervenção do BCE.</p>
<p style="text-align: justify"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify"><strong>O &#8220;NÃO&#8221; BRITÂNICO</strong></p>
<p style="text-align: justify">Embora o acordo possa ajudar a salvar o euro, as consequências políticas do rompimento com o Reino Unido podem ser enormes. A Alemanha e a França tinham esperança de convencer todos os 27 países da UE a concordarem com a necessidade de mudar o tratado que governa sua união. Mas os britânicos, que não usam o euro, deram como resposta um firme “não”.</p>
<p style="text-align: justify">&#8220;O que estava em oferta não era de interesse da Inglaterra e, por isso, não concordei&#8221;, disse o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, a jornalistas em Bruxelas. &#8220;Não estamos no euro e estou contente por não estarmos no euro&#8221;, acrescentou. &#8220;Nunca vamos nos unir ao euro e nunca vamos abrir mão deste tipo de soberania que estes países estão tendo de fazer&#8221;, emendou.</p>
<p style="text-align: justify">O presidente francês, Nicolas Sarkozy, culpou o líder britânico por bloquear um amplo tratado da UE . &#8220;Cameron fez uma proposta que nos pareceu inaceitável, um protocolo para o tratado que exoneraria o Reino Unido de uma série de regulamentações dos serviços financeiros&#8221;, disse o dirigente da França.</p>
<p style="text-align: justify">&#8220;Não podemos aceitar isso. Consideramos, pelo contrário, que parte dos problemas do mundo é consequência da falta de regulamentações dos serviços financeiros. Se você quer uma cláusula de saída para não estar no euro e pedir para participar de todas as decisões do euro, mesmo criticando-o, isto não é possível&#8221;, afirmou Sarkozy.</p>
<p style="text-align: justify">Hungria, República Tcheca e a Suécia disseram que precisam consultar seus respectivos Parlamentos, enquanto outros seis países não usam o euro – Dinamarca, Polônica, Bulgária, Romênia, Letônia e Lituânia – concordaram em seu unir ao novo tratado. Um a um, ao longo da noite, os 17 líderes da zona do euro foram convencendo os demais países a se juntarem ao tratado.</p>
<p style="text-align: justify">“Pelo menos 23 estados membros da União Europeia farão parte deste acordo e, possivelmente, serão26”, afirmou o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso.</p>
<p style="text-align: justify">O presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, disse que a zona do euro, junto com alguns outros integrantes da União Europeia, vai prover até 200 bilhões de euros em recursos extras para o Fundo Monetário Internacional (FMI), para serem usados para ajudar os países a ajeitar suas contas. A Suécia e a Dinamarca, fora do euro, já avisaram que vão contribuir com algum dinheiro extra.</p>
<p style="text-align: justify"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify"><strong>PONTOS DO NOVO TRATADO</strong></p>
<p style="text-align: justify">Conforme o comunicado emitido ao fim do encontro, os governos incluídos no acordo vão precisar ter orçamentos equilibrados, com déficit estrutural não podendo superar 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB), e vão ter de fazer emendasem suas Constituiçõespara incluir tal requerimento.</p>
<p style="text-align: justify">O tratado deve envolver um &#8220;mecanismo de correção automática&#8221; para países que violarem as regras. Além disso, aqueles que administrarem um déficit acima de 3% vão sofrer sanções.</p>
<p style="text-align: justify">Para evitar tais déficits, os países devem submeter seus orçamentos nacionais à Comissão Europeia, que vai ter a autoridade para solicitar que as contas sejam revistas. Os países devem ainda reportar antecipadamente seus planos de financiamento.</p>
<p style="text-align: justify">&#8220;Ainda não acabou, mas a zona do euro está em um bom caminho em direção de um pacto fiscal e esperançosa de salvar o euro&#8221;, comentou o economista europeu do ING, Carsten Brzenski.</p>
<p style="text-align: justify">Os governos signatários do novo tratado vão ter de concordar com uma intervenção sem precedentes nos orçamentos nacionais por organismos da União Europeia. O acordo vai depender da Comissão Europeia e do Tribunal Europeu de Justiça para aplicar as regras.</p>
<p style="text-align: justify">Apesar dos desafios à frente, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, comemorou o acordo. &#8220;Sempre disse que os 17 Estados do grupo do euro vão reconquistar a credibilidade. E eu acredito que, com as decisões de hoje, isso pode e vair ser conseguido&#8221;, destacou.</p>
<p style="text-align: justify">Alemanha e França insistem que o melhor caminho para ter de volta a confiança do mercado é melhorar a governança financeira, vigiando os países da zona do euro e seus orçamentos.</p>
<p style="text-align: justify">Para muitos outros países, e economistas, contudo, recobrar a confiança dos investidores no curto prazo depende de a zona do euro ter dinheiro disponível para garantir que os países não vão deixar de honrar seus compromissos. Não houve, por exemplo, nenhum acordo imediato para reforçar os fundos de resgate da zona do euro.</p>
<p style="text-align: justify">Em seu comunicado, os líderes europeus disseram que adiaram para até março uma decisão sobre se os fundos de resgate precisarão ter uma capacidade de proporcionar mais de 500 bilhões de euros em ajuda aos países em dificuldade.</p>
<p style="text-align: justify"><em>(Associated Press)</em></p>
<p>FONTE DA NOTÍCIA: VALOR ECONÔMICO</p>
<p><a href="http://www.valor.com.br/financas/1131338/paises-da-ue-estao-abertos-um-novo-tratado-menos-o-reino-unido">http://www.valor.com.br/financas/1131338/paises-da-ue-estao-abertos-um-novo-tratado-menos-o-reino-unido</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<h4 style="text-align: justify" align="center"><strong>ANÁLISE RI</strong></h4>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify">Analisar a União Europeia, sob o prisma da integração regional, da forma como vemos hoje – dinamicamente instável e ainda a tentar mensurar o tamanho do abismo que se abriu durante a crise – é tarefa ingrata a aquele que escreve. Botar o dedo na ferida econômica mais inflamada do globo, embebendo-se daquele material podre, para dele extrair o problema, na intenção de sugerir formas de tratamento, é incumbência das mais difíceis, e requer conhecimento adquirido através de longa <em>práxis,</em> principalmente ao tratar-se de uma paciente idosa, altiva, vetusta e turrona como a Europa.</p>
<p style="text-align: justify">Tratamos aqui de um problema complexo e de diversas faces. Muito embora o ideal integracionista da União Europeia seja o de maior êxito daqueles quais temos ciência até nossos dias, uma abordagem conjuntural de quem acompanha a imersão econômica do velho continente com olhos críticos, nos habilita a concluir que a crise decorre de má gestão liberal das nações europeias, associada à manipulação econômica feita pelos bancos internacionais, grupos de investimentos, companhia de seguros, entre outros interlocutores, ao emitir os chamados “derivativos” – títulos podres que prometiam o maná dos céus, a multiplicação dos pães a partir do nada, aos governos, que também, se não estiveram mancomunados com banqueiros e demais espécimes, ajudaram a insuflar a bolha especulativa de tal forma, que hoje, o povo europeu paga com acréscimos de centenas, daquilo que realmente lhe tocava saldar, se é que lhe cabia saldar algo.</p>
<p style="text-align: justify">Sob outro aspecto, o período de crise serve para avaliar e testar a coesão do bloco. E isso nos servirá de arcabouço fático de <em>“como não proceder no MERCOSUL, UNASUL e CELAC&#8230;”</em>, ainda que nos pautemos por diretrizes diversas.</p>
<p style="text-align: justify">No que tange ao espírito ideológico do bloco neste período crítico, nada muito exemplar em termos de união, igualdade e caráter democrático nos chama a atenção e até mesmo se visualiza a imposição antidemocrática dos países mais influentes em relação aos mais fragilizados com a questão da crise. Foi o que ocorreu, por exemplo, com a Grécia, antes de Papandreou renunciar, quando este queria consultar a sua injustamente prejudicada população, sobre a adoção ou não das medidas de austeridade econômica sugeridas e foi fortemente criticado pelos mandachuvas da influência política do bloco (leia-se Ângela Merkel e Nicholas Sarkozy). O pretexto “união” do bloco sugere em segunda vista “persuasão” sobre o mesmo.</p>
<p style="text-align: justify">Refazer o acordo do Euro, em consonância ao que bem ilustra a matéria analisada, deriva muito mais da necessidade de <em>“usar a crise como oportunidade para renovação”</em>, segundo a retórica franco-germânica, do que em virtude de um ideal integracionista. Mas em verdade, o interesse mor visa em primeiro plano a reestruturação dos bancos franco-germânicos que ajudaram, por intermédio da podridão dos derivativos, a colocar em coma a economia grega, assim como, em situação complexa a Irlanda, Portugal, Espanha e Itália. Ter bancos fortes e bem estruturados em termos de bloco é uma arma poderosa na manipulação estatal dos demais parceiros. A máxima que se corporifica nessa situação é: <em>“Antes, quebrem-se os países que os bancos&#8230;”</em></p>
<p style="text-align: center"><a href="http://ri.net.br/relacoes-internacionais-2/destaque/novo-tratado-do-euro-prenuncio-de-novos-tempos-ou-do-fim-do-bloco/attachment/bla2/" rel="attachment wp-att-4637"><img class=" wp-image-4637 aligncenter" src="http://ri.net.br/wp-content/uploads/2011/12/bla2.jpg" alt="Imagem: Volker Moehrke/Corbis" width="358" height="234" /></a></p>
<p style="text-align: justify">Em segundo plano, o modelo de crescimento alemão utiliza ainda que em menor escala, o modo chinês de desenvolvimento econômico: manipulação cambial, mesmo que tênue, em detrimento da atratividade do custo de suas exportações. Trazer os demais países da União Europeia para o círculo do Euro significaria maior persuasão econômica em decorrência da impossibilidade da implementação de medidas protecionistas destes, ante o vigor comercial alemão.</p>
<p style="text-align: justify">Ainda, é de relevância abordar a questão da não adesão britânica à recente proposta. Reflitam: A cessão da soberania econômica em prol da união monetária, transferindo a um órgão central que formule políticas fiscais e monetárias, emitidas de acordo com a situação geral do bloco e não no <em>“caso a caso”</em>, é de se ver com temeridade. O crescimento econômico dos países da União Europeia que adotam o Euro não são igualmente vigorosos entre si, e as decisões baseadas na média econômica geral podem conduzir a uma estagnação crônica para não dizer de uma nova possibilidade de recessão econômica. Como ilustração, podemos sugerir, que nem no médio prazo o nível das cadeias produtivas gregas serão páreo para equipará-lo à robustez econômica alemã. Sem mencionar o dado interessante de que os países da União Europeia que estão fora da zona Euro e, portanto, tem um estado que respalda suas respectivas moedas na medida em que necessitem, mostram uma solidez econômica muito maior que os adeptos ao Euro. Cabe citar aqui o exemplo da Polônia e do Reino Unido. Neste sentido, é plenamente lógico e compreensível o rechaço bretão sobre a possibilidade de um novo acordo da zona Euro.</p>
<p style="text-align: justify">Longe de se vislumbrar o fim dos seus problemas econômicos, a União Europeia traça novos objetivos para a sua subsistência. A “unidade na diversidade” (In varietate concordia), lema da UE desde sua instituição, é posta à prova novamente&#8230; e, esta mesma unidade, do qual reza o lema, é um ideal que ainda está pendente de concretização! Certamente veremos nos próximos acontecimentos.<em>  </em></p>
<p style="text-align: justify"><em>Imagem: Volker Moehrke/Corbis</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://ri.net.br/relacoes-internacionais-2/destaque/novo-tratado-do-euro-prenuncio-de-novos-tempos-ou-do-fim-do-bloco/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Celac reflete importância geopolítica da América Latina e do Caribe, diz presidenta Dilma</title>
		<link>http://ri.net.br/relacoes-internacionais-2/destaque/celac-reflete-importancia-geopolitica-da-america-latina-e-do-caribe-diz-presidenta-dilma/</link>
		<comments>http://ri.net.br/relacoes-internacionais-2/destaque/celac-reflete-importancia-geopolitica-da-america-latina-e-do-caribe-diz-presidenta-dilma/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 16 Dec 2011 01:48:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kevin Damásio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cooperação e Integração]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Celac]]></category>
		<category><![CDATA[Dilma]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://ri.net.br/?p=4621</guid>
		<description><![CDATA[Por Kevin Luís Damásio/ Editora: Camila Andrade &#160; Sexta-feira, 2 de dezembro de 2011 às 22:57: Chefes de Estado da América Latina e do Caribe deram hoje (2) um significativo passo para fortalecer a integração dos países da região. Reunidos em Caracas, na Venezuela, criaram a Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), que conta com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h5><em>Por Kevin Luís Damásio/ Editora: Camila Andrade</em></h5>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify"><strong>Sexta-feira, 2 de dezembro de 2011 às 22:57: </strong>Chefes de Estado da América Latina e do Caribe deram hoje (2) um significativo passo para fortalecer a integração dos países da região. Reunidos em Caracas, na Venezuela, criaram a Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), que conta com a participação de 33 países. As exceções são os Estados Unidos e o Canadá.</p>
<p style="text-align: justify">Na primeira sessão plenária da 3a Cúpula de Caracas, a presidenta Dilma afirmou que a Celac é fato político e econômico de “grande envergadura”. A integração regional, reiterou, é condição para que as economias da América Latina e do Caribe enfrentem os desafios impostos pela crise internacional, mantenham suas taxas de crescimento acima das registradas pelo resto do mundo e preservem seus ciclos atuais de desenvolvimento.</p>
<p style="text-align: justify"><em>“A Celac é a expressão da capacidade que nós tivemos de olhar para nós mesmos e perceber a importância estratégica e geopolítica desta região. O Brasil tem hoje uma economia sólida, diversificada e competitiva, mas nós não queremos olhar só para dentro do Brasil ou para a Europa e os países desenvolvidos. É chegada a hora de construir a nossa prosperidade em conjunto com todos os países da região.”</em></p>
<p style="text-align: justify">A Celac nasce da união da Cúpula da América Latina e do Caribe (Calc), voltada para a cooperação entre os países, com o Grupo do Rio, que teve forte atuação política desde os anos 1980. Segundo o Itamaraty, surge para contemplar a nova realidade internacional. Nesta, latino-americanos e caribenhos contribuem para resolver a crise que afeta com seriedade os países ricos. Além disso, a nova organização pode estimular a cooperação e fortalecer a integração regional.</p>
<p style="text-align: justify">Na sua contundente defesa da integração regional, Dilma Rousseff argumentou que são reais os temores de uma recessão global. E, na contramão do que vive hoje a Zona do Euro, “onde velhos modelos foram colocados em xeque pela especulação financeira”, os países da América Latina e do Caribe devem, segundo ela, perseguir a integração.</p>
<p style="text-align: justify"><em>“Sabemos que a integração não é um processo de curto prazo ou um caminho de facilidades, mas é uma construção contínua e paciente, com respeito à pluralidade. Há que se respeitar a soberania e a independência das nações. Juntos seremos mais fortes. Juntos podemos crescer de forma solidária e mutuamente benéfica.”</em></p>
<p style="text-align: justify">Aos 33 chefes de Estado presentes à Cúpula de Caracas, a presidenta Dilma ressaltou o caráter pacífico da região.</p>
<p style="text-align: justify"><em>“Nós também somos uma zona de paz, livre de armas de destruição em massa, que cultiva a via do entendimento e do consenso, e que não se deixa tentar por soluções impositivas de um país pelo outro. Aprendemos a lidar com nossas diferenças pelo caminho do diálogo.”</em></p>
<p style="text-align: justify">E numa demonstração de que o Brasil acredita na atuação da nova Celac, Dilma Rousseff anunciou que a Universidade Federal Latino-americana (Unila) estenderá as matrículas a todos os latino-americanos e caribenhos. Em cinco anos, disse, a Unila poderá ter dez mil alunos e 500 professores de toda a região.</p>
<p style="text-align: center"><a href="http://ri.net.br/relacoes-internacionais-2/destaque/celac-reflete-importancia-geopolitica-da-america-latina-e-do-caribe-diz-presidenta-dilma/attachment/bla/" rel="attachment wp-att-4622"><img class="size-large wp-image-4622 aligncenter" src="http://ri.net.br/wp-content/uploads/2011/12/bla-1024x682.jpg" alt="" width="500" height="333" /></a></p>
<p style="text-align: justify">FONTE DA NOTÍCIA:  Blog do Planalto</p>
<p style="text-align: justify"><a href="http://blog.planalto.gov.br/celac-reflete-importancia-geopolitica-da-america-latina-e-do-caribe-diz-presidenta-dilma/">http://blog.planalto.gov.br/celac-reflete-importancia-geopolitica-da-america-latina-e-do-caribe-diz-presidenta-dilma/</a></p>
<p style="text-align: justify">FOTO: Planalto</p>
<p style="text-align: justify">
<h5 style="text-align: justify"><strong>ANÁLISE RI</strong></h5>
<h5 style="text-align: justify"><strong><br />
</strong></h5>
<p style="text-align: justify">A Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) surge da união entre a Cúpula da América Latina e Caribe (CALC) e do Grupo do Rio, que se dissolvem para o surgimento de um bloco conjunto que agregará os 33 Estados latino-americanos, possibilitando o surgimento de um notável mecanismo para o fomento do desenvolvimento de maneira mais igualitária em toda a região.</p>
<p style="text-align: justify">A CELAC poderá trabalhar de modo a afrontar a preponderância estadunidense em toda a extensão latino-americana, constrangendo uma base histórica de dominância dos EUA, iniciada com a Doutrina Monroe. Ao excluir-se a presença norte-americana e canadense na formação desse novo bloco, a CELAC garante um caráter mais autônomo, que lhe consente autarquia em suas determinações.</p>
<p style="text-align: justify">Assim, estabelecendo como sua base de articulação toda a América Latina, o novo bloco de integração permitirá uma união dos interesses da região de maneira mais consensual, de modo que, a vocalização dos interesses da América Latina torne-se mais preponderante entre toda a comunidade internacional.</p>
<p style="text-align: justify">Ademais, a CELAC representa a oportuna criação de um mecanismo econômico que poderá ser de grande necessidade, uma vez que, o cenário internacional de crise prossiga ou acentue-se. A articulação conjunta entre seus membros possibilitará planos econômicos conjuntos e a garantia de somas consideráveis de divisas, caso um dos seus membros perpasse por dificuldades financeiras para a honra de dívidas.</p>
<p style="text-align: justify">Entretanto, a CELAC inicia sua construção com diversos desafios em seu horizonte, como o combate à desigualdade social que desfavorece o crescimento equânime no âmbito interno dos países, favorecendo a concentração de renda em pequenos estratos sociais.</p>
<p style="text-align: justify">No contexto externo, também se observa o contraste do desenvolvimento econômico diferenciado entre os países do bloco. A constituição de países com taxas de crescimento extremamente desiguais favorece o surgimento de potências regionais, as quais podem conformar uma discrepância potencial que pode impedir a formação de consensos entre seus parceiros.</p>
<p style="text-align: justify">Contudo, a CELAC apesar de enfrentar desafios consideráveis para sua consolidação, ao estar disposta entre países com características culturais e posições políticas notavelmente distintas, ainda se estabelece como relevante mostra de engajamento das autoridades soberanas da região que se articularam em momento muito oportuno.</p>
<p style="text-align: justify">Desse modo, o projeto integracionista que constitui a CELAC demonstra-se como um marco no processo de integração da América Latina, contribuindo para a construção de um ambiente condizente para o desenvolvimento conjunto. Forma-se, assim, uma região doutrinada segundo o ideário de constituição de um novo bloco fundamental na política externa da atualidade.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://ri.net.br/relacoes-internacionais-2/destaque/celac-reflete-importancia-geopolitica-da-america-latina-e-do-caribe-diz-presidenta-dilma/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

